HUMILDADE

Tanto que fazer!

livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,

línguas que não se aprendem,

amor que não se dá,

tudo quanto se esquece.

Amigos entre adeuses,

crianças chorando na tempestade,

cidadãos assinando papéis, papéis, papéis...

até o fim do mundo assinando papéis.

E os pássaros detrás de grades de chuva.

E os mortos em redoma de cânfora.

(E uma canção tão bela!)

Tanto que fazer!

E fizemos apenas isto.

E nunca soubemos quem éramos,

nem para quê.


CECILIA MEIRELES

0 comentários:

Postar um comentário

Audio Poesia

Sobre este blog

Este blog é uma homenagem aos grandes poetas, gênios que conseguiram transformar em palavras, todo forma de sentimento humano.


Twitter

Seguidores

Perfil

Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei. (...) Fernando Pessoa
Powered By Blogger

Arquivo